Gestão do Ativo Imobilizado
O CPC 27 – Ativo Imobilizado é a norma contábil que explica como as empresas devem registrar e controlar os bens que utilizam nas suas atividades do dia a dia. Estamos falando de itens como máquinas, veículos, computadores, móveis e imóveis utilizados pela empresa.
A ideia principal da norma é simples: mostrar quanto esses bens valem ao longo do tempo. Isso é importante porque esses ativos sofrem desgaste, envelhecem e podem até perder valor de mercado antes do esperado. Assim, o CPC 27 ajuda a empresa a registrar essas mudanças de forma mais próxima da realidade.
Ativo imobilizado é todo bem físico que a empresa utiliza para funcionar e que será usado por no mínimo um ano. Diferente de um produto comprado para revenda ou uso imediato, o imobilizado serve para ajudar a empresa a produzir, prestar serviços ou realizar suas atividades.
Por exemplo, em uma fábrica, as máquinas fazem parte do imobilizado. Em um escritório, computadores, mesas e cadeiras também entram nessa categoria; em uma transportadora, os caminhões usados no transporte de produtos são considerados ativos imobilizados.

Quando um bem passa a fazer parte da contabilidade da empresa, ele precisa ser registrado. Esse momento é chamado de reconhecimento. Mas isso não ocorre apenas porque houve uma compra. A empresa precisa verificar se esse bem será realmente utilizado em suas atividades e trará benefícios ao longo do tempo.
Quando um bem é comprado, o valor registrado inclui o preço pago pelo bem no momento da compra e os gastos necessários para deixar o bem pronto para uso.
Imagine uma empresa que compra uma máquina industrial. Além do valor da máquina, ela talvez precise pagar transporte, instalação, montagem e testes antes de começar a utilizar o equipamento. Todos esses gastos podem fazer parte do valor do bem, que é o custo inicial desse bem. A lógica é simples: tudo aquilo que foi necessário para colocar o bem funcionando pode entrar no custo inicial.
Depois que o bem começa a ser utilizado, a empresa continua tendo gastos relacionados a ele. Alguns desses gastos são apenas manutenções normais do dia a dia, enquanto outros realmente aumentam o valor ou o tempo de uso (a vida útil) do bem.
Por exemplo, imagine que a empresa faça uma grande melhoria em uma máquina, aumentando sua capacidade de produção ou fazendo com que ela dure mais tempo. Nesse caso, o gasto pode ser incorporado ao valor do bem. Por outro lado, uma troca de óleo em um veículo normalmente é considerada uma despesa, pois não aumenta sua capacidade de uso nem prolonga significativamente sua vida útil. Afinal, é apenas uma manutenção comum para manter o funcionamento do bem.

Mensurar significa determinar quanto vale o bem quando ele é registrado pela empresa. Esse valor normalmente inclui o preço de compra e todos os gastos necessários para colocar o bem em funcionamento, como frete, instalação, montagem e testes.
A ideia é registrar o ativo pelo gasto necessário para colocá-lo em operação. Por exemplo, se uma empresa compra um equipamento por R$ 50 mil e gasta mais R$ 5 mil com instalação e transporte, o valor registrado será de R$ 55 mil.
Depois que o bem já foi registrado e passou a funcionar, a empresa precisa acompanhar seu valor ao longo do tempo. Isso acontece porque os bens sofrem desgaste e podem até mudar de valor com o passar dos anos.

Esse é o método mais utilizado pelas empresas. Nele, o ativo continua registrado pelo valor original de aquisição, mas vai sendo reduzido pela depreciação e por eventuais perdas de valor, chamadas de impairment. Na prática, é como acompanhar a perda de valor e o envelhecimento do bem ao longo do tempo.
Nesse método, o valor do bem é atualizado periodicamente para ficar mais próximo do valor de mercado. Por exemplo, um imóvel comprado há muitos anos por R$ 500 mil poderia passar a ser registrado por R$ 800 mil caso esse fosse o seu valor atual.
Embora esse método exista nas normas internacionais, ele não é permitido no Brasil. Por isso, as empresas brasileiras utilizam apenas o método do custo para registrar seus bens.

Depreciação é a perda de valor de um bem com o passar do tempo. Isso acontece por uso, desgaste, envelhecimento ou até avanço da tecnologia. Pense em um carro. Conforme ele é utilizado, seu valor normalmente diminui devido ao desgaste ou obsolescência. Com máquinas e equipamentos ocorre a mesma coisa. A contabilidade registra essa perda de valor aos poucos, por meio da depreciação.
O método de depreciação mais utilizado é o linear. Nele, o bem perde o mesmo valor todos os anos. Imagine uma máquina comprada por R$ 10 mil com vida útil estimada em 10 anos. Nesse caso, ela perderia R$ 1 mil de valor por ano (10%).
Além do método linear, existem outros modelos que consideram fatores como intensidade de uso ou quantidade produzida. Mesmo assim, o método linear costuma ser o mais utilizado por ser mais simples.
O cálculo básico da depreciação, no método linear, consiste em dividir o valor do bem pelo número de anos de vida útil.
Exemplo: imagine uma máquina que custou R$ 20 mil e será utilizada por 5 anos: R$ 20 mil ÷ 5 = R$ 4 mil por ano.
Isso significa que, contabilmente, a máquina perderá R$ 4 mil de valor a cada ano devido ao uso e ao desgaste ao longo do tempo.
O impairment acontece quando um bem passa a valer menos do que o valor que aparece na contabilidade da empresa. Em outras palavras, a empresa percebe que não conseguirá recuperar todo o valor registrado daquele bem, seja pelo fluxo de caixa esperado utilizando o bem nas suas operações, seja vendendo-o. Isso pode acontecer por vários motivos, como danos graves, acidentes, obsolescência, queda na demanda pelos produtos fabricados ou perda de utilidade do equipamento.
Imagine uma máquina que está registrada na contabilidade por R$ 50 mil, mas que, devido a uma pane séria, por exemplo, já não consegue gerar os benefícios esperados e também só poderia ser vendida por cerca de R$ 30 mil nas condições em que se encontra. Nesse caso, parte do valor registrado (R$ 20.000) não poderá ser recuperada e a empresa deve reconhecer essa perda na contabilidade.
A baixa do bem ocorre quando o bem deixa de fazer parte da empresa. Isso pode acontecer por venda, descarte, perda ou inutilização.
Por exemplo, quando uma empresa vende um veículo antigo, esse bem deve deixar de aparecer no grupo do imobilizado. O mesmo ocorre quando um equipamento não tem mais utilidade e é doado ou descartado. Nesse momento, a empresa registra a saída do bem da contabilidade.

Agora vamos acompanhar um exemplo completo envolvendo uma máquina, passando pela compra, depreciação, impairment, reversão do impairment e venda.
Imagine que no início do ano X1, uma empresa compre uma máquina por R$ 50.000, pagando à vista.
Lançamento da aquisição:
Após a aquisição, a empresa passa a reconhecer a depreciação desse bem.
A empresa estima que a vida útil da máquina seja de 5 anos. Assim, a depreciação anual será de R$ 10.000 por ano (R$ 50.000 ÷ 5), utilizando o método linear. Ao final do ano X1, a empresa registra a primeira depreciação.
Lançamento da depreciação do ano X1:
Ao final do ano X2, primeiro a empresa registra a depreciação do período.
Lançamento da depreciação do ano X2:
Após a depreciação, o valor da máquina passa a ser de R$ 30.000 (R$ 40.000 − R$ 10.000).
Ao final do ano X2, a máquina sofre um dano importante e perde parte de sua capacidade de produção. Após analisar a situação, a empresa percebe que a máquina já não vale os R$ 30.000 registrados na contabilidade. Na prática, ela estima que só conseguirá recuperar R$ 25.000 com essa máquina, seja usando-a em suas atividades ou vendendo-a. Como existe uma diferença de R$ 5.000 entre o valor registrado na contabilidade (R$ 30.000) e o novo valor que a máquina vale (R$ 25.000), essa perda precisa ser reconhecida.
Lançamento do impairment:
Após o impairment, o valor da máquina passa a ser de R$ 25.000 (R$ 30.000 − R$ 5.000).
Ao final do ano X3, primeiro a empresa registra a depreciação do período. Neste exemplo, a empresa concluiu que o dano que gerou o impairment em X2 não alterou a quantidade de anos restantes para o uso da máquina. Entretanto, o valor registrado da máquina caiu de R$ 30.000 para R$ 25.000. Assim, a nova base depreciável é de R$ 25.000 ÷ 3, que equivale a R$ 8.333 por ano.
Lançamento da depreciação do ano X3:
Após a depreciação, o valor da máquina passa a ser de R$ 16.667 (R$ 25.000 − R$ 8.333).
Ao final do ano X3, a empresa realiza um grande reparo na máquina e consegue recuperar sua capacidade de produção. Assim, a empresa percebe que o problema que havia reduzido o valor da máquina foi resolvido. Antes da reversão, a empresa verifica qual seria o valor da máquina se o impairment não tivesse acontecido: R$ 50.000 − (3 × R$ 10.000) = R$ 20.000.
Como a máquina está registrada por R$ 16.667, a empresa só pode recuperar R$ 3.333 da perda por impairment registrada anteriormente. Isso acontece porque a reversão não pode fazer com que o valor da máquina fique maior do que seria caso o impairment nunca tivesse ocorrido.
Lançamento da reversão do impairment:
Após a reversão, o valor contábil da máquina passa a ser de R$ 20.000 (R$ 16.667 + R$ 3.333).
Ao final do ano X4, antes da venda, a empresa registra a depreciação do período. Como a máquina voltou a ter valor de R$ 20.000 e ainda tinha dois anos de uso pela frente, a depreciação do ano X4 será de R$ 10.000 (R$ 20.000 ÷ 2).
Lançamento da depreciação do ano X4:
Após essa depreciação, o valor contábil da máquina passa a ser de R$ 10.000 (R$ 20.000 − R$ 10.000).
Agora suponha que ao final do ano X4, a empresa venda a máquina por R$ 15.000, à vista. Nesse momento, a máquina está registrada na contabilidade por R$ 10.000. Assim, houve um ganho de R$ 5.000 (R$ 15.000 − R$ 10.000). Como a máquina foi vendida, ela deixa de fazer parte do patrimônio da empresa e precisa ser baixada da contabilidade.
Lançamento da baixa da máquina:
O quadro abaixo resume todas as etapas apresentadas no caso prático.
| Ano | Evento | Depreciação | Impairment | Reversão do Impairment | Valor Contábil da Máquina |
| Aquisição | Compra da máquina | R$ 50.000 | |||
| Ano 1 | Depreciação | (R$ 10.000) | R$ 40.000 | ||
| Ano 2 | Depreciação | (R$ 10.000) | R$ 30.000 | ||
| Ano 2 | Perda por impairment | (R$ 5.000) | R$ 25.000 | ||
| Ano 3 | Depreciação | (R$ 8.333) | R$ 16.667 | ||
| Ano 3 | Reversão da perda por impairment | R$ 3.333 | R$ 20.000 | ||
| Ano 4 | Depreciação | (R$ 10.000) | R$ 10.000 | ||
| Ano 4 | Venda da máquina | Máquina baixada | |||
| Ano 4 | Ganho na venda da máquina | Ganho de R$ 5.000 |
O CPC 27 é a norma contábil brasileira que define como as empresas devem registrar, mensurar e controlar seus ativos imobilizados — bens físicos como máquinas, veículos, computadores e imóveis utilizados nas atividades da empresa. Seu objetivo é refletir, da forma mais próxima possível da realidade, o valor desses bens ao longo do tempo.
É todo bem físico utilizado nas operações da empresa por pelo menos um ano. Exemplos: máquinas de fábrica, computadores e móveis de escritório, caminhões de uma transportadora. Diferencia-se de mercadorias (compradas para revenda) por ser usado para produzir, prestar serviços ou apoiar as atividades da empresa.
Além do preço de compra, entram no custo inicial todos os gastos necessários para colocar o bem em funcionamento, como frete, instalação, montagem e testes. Por exemplo, uma máquina comprada por R$ 50 mil com R$ 5 mil de instalação e transporte será registrada por R$ 55 mil.
Não. Apenas os gastos que aumentem a capacidade de uso ou prolonguem a vida útil do bem são incorporados ao seu valor (custos subsequentes). Manutenções rotineiras, como troca de óleo em um veículo, são tratadas como despesa — pois apenas mantêm o funcionamento normal do ativo.
No Brasil, as empresas utilizam exclusivamente o método do custo. Nele, o ativo permanece registrado pelo valor original de aquisição, reduzido pela depreciação acumulada e por eventuais perdas por impairment. O método da reavaliação, que atualiza o valor do bem para o mercado, é previsto nas normas internacionais mas não é permitido no Brasil.
Depreciação é a redução gradual do valor de um bem pelo uso, desgaste, envelhecimento ou obsolescência tecnológica. O método mais utilizado é o linear: divide-se o valor do bem pelo número de anos de vida útil estimada. Exemplo: uma máquina de R$ 20 mil com vida útil de 5 anos deprecia R$ 4 mil por ano.
Impairment é a perda de valor de um bem que vai além da depreciação normal. Deve ser reconhecido quando o valor contábil do ativo supera o montante que a empresa conseguiria recuperar com ele — seja pelo uso operacional ou pela venda. Situações como danos graves, obsolescência ou queda de demanda podem disparar essa análise.
Sim. Se as condições que geraram o impairment forem superadas, a empresa pode reverter total ou parcialmente a perda reconhecida. Há, porém, um limite importante: o valor contábil após a reversão não pode ser maior do que seria se o impairment nunca tivesse ocorrido, considerando a depreciação que teria sido registrada normalmente.
A baixa ocorre quando o bem deixa de fazer parte do patrimônio da empresa, seja por venda, descarte, doação ou inutilização. No momento da baixa, o bem é retirado do grupo do imobilizado na contabilidade. Se houver diferença entre o valor recebido e o valor contábil do bem, a empresa registra um ganho ou uma perda.
O resultado da venda é a diferença entre o valor recebido e o valor contábil líquido do bem (custo original menos depreciação acumulada e eventuais ajustes de impairment). Se o valor recebido for maior, há ganho; se for menor, há perda. Ambos são registrados no resultado do período.

Mais de 14 anos de experiência em avaliação de ativos.
Responsável por mais de 100 projetos de inventário e avaliação de ativos fixos no Brasil e exterior, com mais de 1 milhão de itens inventariados.
Possui MBA em Contabilidade Internacional (IFRS) pela USP e Governança Corporativa pela PUC-MG, além certificado profissional ANBIMA CPA 10, CPA 20 e CEA.
Administrador e Contador com graduações pela FUMEC.
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