Soluções
1. Estruturação metodológica
A Investor partiu das três abordagens previstas no CPC 46 — mercado, custo e renda — e definiu o critério de mensuração mais adequado a cada bloco de ativos. Para as usinas conectadas e com contratos de fornecimento concretizados, adotou a Abordagem da Renda, por meio do Fluxo de Caixa Descontado para a Firma, capturando a capacidade futura de geração de caixa, as perspectivas de crescimento e as necessidades de investimento. Para as usinas em fase pré-operacional, adotou a Abordagem do Custo, com base no valor contábil do patrimônio líquido das respectivas sociedades. Essa escolha foi fundamentada no próprio CPC 46 / IFRS 13, que admite o custo como aproximação razoável do valor justo quando as premissas das técnicas de avaliação não podem ser corroboradas por dados observáveis de mercado, e na Instrução CVM 579/2016, que autoriza a manutenção de investimentos em sociedades pré-operacionais pelo custo de aquisição. Nesse bloco, observou-se ainda o CPC 01 (IAS 36) quanto à verificação de indicadores de redução ao valor recuperável.
2. Análise de demonstrações financeiras
A equipe obteve e analisou os dados históricos financeiros e operacionais da Kamai SP1 e de suas controladas, incluindo balanços patrimoniais e demonstrações de resultado da holding e de cada sociedade investida. Essa análise permitiu mapear a estrutura de investimentos, os adiantamentos para futuro aumento de capital e os passivos existentes na data-base, bem como refletir no laudo a posterior conversão desses adiantamentos em capital social e a composição acionária resultante, com distinção entre ações ordinárias e preferenciais e tratamento do prêmio aplicável à classe preferencial.
3. Modelagem dos fluxos de caixa e premissas operacionais
As projeções foram construídas a partir do estudo dos contratos de arrendamento das usinas e do confronto entre a performance histórica de geração e modelos estatísticos de produtividade, adotando-se a curva conservadora de probabilidade (P90) do software PVSyst, a degradação anual dos módulos e a substituição programada dos inversores ao longo da vida útil. As premissas tarifárias partiram da tarifa vigente da distribuidora local e dos descontos comerciais praticados junto a consórcios e cooperativas; custos de operação e manutenção, seguros, arrendamento de áreas e encargos setoriais foram informados pela companhia e discutidos com sua diretoria. O regime tributário e sua transição ao longo do período projetivo foram incorporados ao modelo, e o horizonte de projeção foi delimitado de forma explícita, sem perpetuidade.
4. Taxa de desconto e consistência com o mercado
O custo médio ponderado de capital foi apurado a partir do modelo CAPM, com beta setorial de energia renovável, taxa livre de risco, prêmio de risco de mercado, risco país e ajuste pelo diferencial de inflação entre Brasil e Estados Unidos, além de estrutura de capital alvo baseada em empresas comparáveis do setor. Todas as fontes foram explicitadas no laudo, assegurando reprodutibilidade dos cálculos e facilitando a revisão pela auditoria independente.
5. Validação contábil e conformidade
O laudo foi elaborado em conformidade com o Anexo Normativo IV da Resolução CVM 175/2022 e com a Instrução CVM 579/2016, com fundamentação expressa no CPC 46 / IFRS 13 e no CPC 01 / IAS 36. Escopo e limitações foram claramente delimitados e a condução do projeto previu alinhamento prévio com a auditoria independente, interlocução técnica durante a revisão e disponibilização das memórias de cálculo de forma aberta e rastreável.
6. Governança interna da Investor
O trabalho seguiu o processo interno de aprovação da Investor: discussão da metodologia com a equipe responsável, preparação e revisão das análises pelos analistas, submissão ao comitê interno composto por diretores e analistas seniores e implementação das exigências desse comitê antes da aprovação final. O laudo contou com responsável técnico certificado, definição das diretrizes de avaliação por sócia especialista em infraestrutura e concessões e participação de três integrantes do comitê interno. A Investor declarou formalmente não deter participação societária nas empresas envolvidas, trabalhar com honorários fixos e não condicionados ao resultado da avaliação e não ter sofrido qualquer direcionamento ou interferência da administradora, da gestora ou do Fundo.