Soluções
1. Estruturação metodológica
A avaliação foi conduzida sob a Abordagem da Renda, em linha com o CPC 46 — Mensuração do Valor Justo, por meio da metodologia do Fluxo de Caixa Descontado. A escolha considerou a natureza dos ativos investidos, a disponibilidade de informações para fundamentar os principais direcionadores de valor e as discussões mantidas com a gestão da Companhia. No primeiro exercício avaliado, a Investor adotou o Fluxo de Dividendos Descontado, refletindo as regras de distribuição por classe de ação; nos exercícios seguintes, com a evolução da estrutura societária e das informações disponíveis, passou a aplicar o Fluxo de Caixa Descontado para a Firma, com posterior ajuste pela dívida líquida e pelos ativos e passivos não operacionais para obtenção do valor para os acionistas.
A taxa de desconto foi apurada pelo custo médio ponderado de capital (WACC), com o custo de capital próprio estimado pelo modelo CAPM a partir de parâmetros públicos e verificáveis: beta setorial de energia renovável, taxa livre de risco, prêmio de risco de mercado, risco-país e diferencial de inflação entre Brasil e Estados Unidos. A estrutura de capital alvo foi referenciada na média do setor. Por decisão metodológica fundamentada, não se aplicou perpetuidade nem convenção de meio de ano, dado o prazo definido dos arrendamentos e o fato de que o acionista percebe a geração de caixa apenas na distribuição de dividendos ao fim de cada exercício.
2. Análise de demonstrações financeiras
A Investor analisou as demonstrações financeiras consolidadas da Evolua dos últimos exercícios, combinando balanços auditados com a prévia das contas patrimoniais da data-base mais recente. A análise retrospectiva abrangeu a evolução do ativo total, a composição do imobilizado, as contas de liquidez imediata e fundos vinculados, as operações com partes relacionadas, os adiantamentos para futuro aumento de capital e a trajetória do endividamento e do patrimônio líquido. Esse diagnóstico subsidiou tanto a compreensão das tendências operacionais quanto a identificação dos itens não operacionais e da dívida líquida a serem ajustados no valor da Companhia.
3. Mapeamento dos ativos geradores e das premissas operacionais
O trabalho exigiu o estudo individualizado de cada usina do portfólio. Foram examinados os contratos de arrendamento, a performance histórica de geração e a comparação com modelos projetivos estatísticos, adotando-se a curva de probabilidade conservadora (P90) do software PVSyst para a produtividade esperada, com degradação anual dos módulos, taxa de vacância, inadimplência e troca de inversores ao longo da vida útil.
Do lado da receita, as tarifas compensáveis foram projetadas por distribuidora com base na tarifa vigente na data-base, considerando a isenção de ICMS assegurada às unidades enquadradas no marco legal da geração distribuída e a evolução esperada dos descontos comerciais informada pela Companhia em função da maior competitividade do mercado. Do lado dos custos, foram segregados encargos setoriais, operação e manutenção, seguros patrimoniais e arrendamento, distinguindo o tratamento entre usinas próprias, em que o arrendamento se refere apenas à terra, e usinas arrendadas, em que o valor pago já incorpora operação e manutenção. Despesas administrativas, regime tributário de lucro real, necessidade de capital de giro e investimentos de reposição completaram a projeção dos fluxos de caixa.
4. Validação contábil e conformidade
Todas as etapas foram conduzidas em conformidade com o Anexo Normativo IV da Resolução CVM 175/2022, com a Instrução CVM 579/2016 e com o CPC 46, com memória de cálculo rastreável e premissas validadas junto à administração da Companhia. O laudo documenta expressamente as limitações de escopo, deixando claro que não foram realizados procedimentos de auditoria ou diligência contábil, jurídica ou fiscal, e que as projeções refletem as informações fornecidas pela gestão. Essa transparência é essencial para que o Administrador, os cotistas e os auditores independentes compreendam a natureza das conclusões e sua aplicabilidade à marcação das cotas.
O escopo contratado contemplou ainda o acompanhamento do processo de auditoria, com envio da versão preliminar, interlocução técnica com os auditores e emissão da versão final assinada digitalmente pelos responsáveis técnicos, acompanhada das planilhas de suporte com fórmulas e vínculos abertos.
5. Governança interna da Investor
O processo de aprovação interno seguiu as etapas formais da Investor: discussão da metodologia com a equipe responsável, preparação e revisão das análises pelos analistas, submissão do laudo ao comitê interno composto por diretores e analistas seniores e implementação das exigências apontadas antes da aprovação final. O trabalho foi liderado pelo sócio responsável pela área de Finanças Corporativas, com participação das lideranças de Infraestrutura e Concessões e de Consultoria Imobiliária na definição de diretrizes e na revisão regulatória.
Em cada laudo, a Investor declarou formalmente não deter participação em qualquer empresa do grupo avaliado, não possuir relações comerciais ou de crédito capazes de afetar a avaliação e não ter conflito de interesses que diminuísse sua independência. Os honorários foram fixos e os contratos anteriores com o próprio Fundo foram divulgados de forma transparente.