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Estruturação metodológica
A Investor adotou o Fluxo de Caixa Descontado da firma como metodologia principal, por refletir a capacidade de geração de caixa da concessão ao longo do prazo remanescente das outorgas e os riscos inerentes ao negócio. A taxa de desconto foi construída pelo custo médio ponderado de capital, com custo de capital próprio estimado pelo Capital Asset Pricing Model a partir de uma amostra ampla de empresas comparáveis do setor de geração, teste de significância estatística dos betas, desalavancagem e realavancagem para a estrutura de capital alvo, prêmio de risco de mercado histórico, risco país e ajuste pelo diferencial de inflação entre Estados Unidos e Brasil. A avaliação por múltiplos de mercado de empresas comparáveis do setor elétrico foi utilizada como metodologia de suporte e contraprova.
Análise de demonstrações financeiras e bases de dados
A equipe analisou as demonstrações financeiras disponibilizadas pela contratante, utilizando os saldos contábeis de imobilizado e intangível como base para a projeção de depreciação e amortização, e os ciclos operacionais históricos como referência para a necessidade de capital de giro. As premissas macroeconômicas foram extraídas do Sistema de Expectativas do Banco Central, e as premissas operacionais de geração foram conciliadas com os relatórios técnicos de modelagem disponibilizados no processo de desestatização, elaborados por consultoria especializada em energia, abrangendo tanto o parque próprio quanto as usinas investidas.
Mapeamento dos ativos de geração e das participações societárias
O modelo projetou separadamente as receitas do ambiente de contratação regulada, baseadas na receita anual garantida das usinas em regime de cotas, e as receitas do ambiente de contratação livre, com valoração dos contratos existentes e da energia descontratada a partir de curva de preços futura. Foram tratados o fator de ajuste hidrológico, a repactuação do risco hidrológico, as deduções e encargos setoriais, os encargos de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, os custos e despesas operacionais, o plano de investimentos em melhorias, o bônus de outorga e o uso do bem público decorrentes do novo contrato de concessão.
As participações societárias receberam tratamento individualizado. As investidas de maior materialidade, em geração hidráulica e eólica, foram avaliadas por modelos de Fluxo de Caixa Descontado próprios; para as demais, a Investor derivou um múltiplo implícito por megawatt de garantia física a partir dos resultados desses modelos, segregando os múltiplos de geração hídrica e eólica. O valor para o acionista da CEEE-G foi então consolidado a partir da operação própria e da soma das participações, permitindo a apuração do valor atribuível à fatia detida pela Eletrobras.
Aderência normativa e regulatória
Cada premissa regulatória foi ancorada em sua fonte: resoluções homologatórias da ANEEL para a receita anual garantida e a compensação financeira pela utilização de recursos hídricos, procedimentos de regulação tarifária para a taxa de fiscalização, decreto e lei federal para o bônus de outorga, e nota técnica da agência para o encargo de uso do bem público. O laudo explicita o escopo e as limitações do trabalho, as fontes de informação e o tratamento conferido a cada componente do fluxo de caixa, em linha com os requisitos da Lei 6.404/76 e da Instrução CVM 361 para relatórios de avaliação.
Governança interna da Investor
O relatório contém declarações formais de independência: a Investor e as pessoas a ela vinculadas não detinham participação em empresas do grupo avaliado; não havia conflito de interesses capaz de diminuir a independência necessária ao trabalho; e nem a companhia, seus acionistas controladores, administradores, a contratante ou os demais participantes do processo direcionaram, limitaram ou interferiram no acesso a informações ou na definição das metodologias.
O processo interno de aprovação seguiu as etapas padrão da Investor: discussão de metodologias e premissas com a equipe responsável; preparação e revisão da análise pelos analistas; submissão ao comitê interno, composto por diretores e analistas sêniores; e discussão e implementação das exigências do comitê como condição para a aprovação final. O laudo foi assinado pelos diretores responsáveis, com identificação nominal da equipe técnica e jurídica.