Soluções
1. Estruturação metodológica
A Investor adotou a Abordagem da Renda, por meio do Fluxo de Caixa Descontado para a Firma (FCDF), como método principal para todas as geradoras. A escolha considerou a natureza das operações — ativos com outorga de prazo definido, receitas contratadas e geração previsível a partir da garantia física — e a disponibilidade de informações para fundamentar os principais direcionadores de valor. O enterprise value obtido foi ajustado pela dívida líquida e por ativos e passivos não operacionais na data-base, resultando no valor do capital próprio e, a partir dele, no valor da participação da CELESC.
Em cada laudo foram explicitadas as premissas gerais do modelo: data-base, moeda nominal, horizonte explícito de projeção alinhado ao vencimento da outorga ou à vida útil das turbinas, tratamento da perpetuidade e convenção de desconto. Para as usinas com outorga próxima do vencimento, a Investor apresentou dois cenários — encerramento no prazo vigente e renovação da concessão — de modo a tornar transparente ao cliente o peso dessa hipótese no resultado.
2. Análise de demonstrações financeiras e contratos
Foram analisadas as demonstrações financeiras auditadas dos últimos exercícios de cada investida e, nas atualizações, os balancetes intermediários mais recentes. A leitura histórica permitiu compreender a evolução de receitas, custos de operação e manutenção, encargos setoriais, estrutura de capital e distribuição de resultados, servindo de base para as premissas de projeção.
Em paralelo, a equipe analisou os contratos de venda de energia de cada geradora — PPAs bilaterais, contratos firmados em leilões do ambiente regulado, contrato entre acionistas da UHE Dona Francisca e termo de repactuação do risco hidrológico –, além das resoluções de outorga da ANEEL que definem potência instalada, garantia física e prazo de exploração. As perspectivas de produção das usinas foram discutidas com os gestores da CELESC.
3. Modelagem setorial e projeção dos fluxos de caixa
A projeção de geração partiu da garantia física definida pela ANEEL, ajustada pelo histórico de alcance de cada usina, pelo consumo próprio e pelas perdas na rede. A receita foi modelada contrato a contrato, segregando volumes e preços no ACR, no ACL e no mercado de curto prazo, com uso de curvas forward de PLD e de preços do mercado livre atualizadas na data de cada laudo. Quando o volume contratado superava a geração projetada, o modelo capturou a necessidade de compra de energia ao PLD; quando havia seguro de repactuação do risco hidrológico, o prêmio e a cobertura foram incorporados à projeção.
Custos regulatórios, despesas de pessoal, administrativas, de gestão e de serviços de terceiros foram projetados a partir do comportamento histórico de cada companhia, e a depreciação acompanhou o saldo do imobilizado até o fim do período projetivo. A taxa de desconto foi construída pelo WACC, com custo de capital próprio pelo CAPM a partir de beta setorial de energia renovável, taxa livre de risco, prêmio de mercado, risco país e diferencial de inflação, convertida para reais nominais e com estrutura de capital alvo baseada no setor.
Para cada avaliação foram elaboradas análises de sensibilidade cruzando preços médios de PLD e ACL, número de anos considerados na projeção do GSF e variações do WACC, além da comparação entre os cenários de vida útil definida e indefinida. No caso da UHE Dona Francisca, a Investor acrescentou análises complementares sobre o custo de oportunidade da comercialização da energia adquirida pela CELESC e sobre o benefício econômico que outro acionista poderia obter em regime de autoprodução, ampliando a leitura do valor sob diferentes perspectivas de mercado.
4. Validação contábil e conformidade
As avaliações foram conduzidas em conformidade com o CPC 46, que organiza as técnicas de mensuração do valor justo nas abordagens de mercado, de custo e de renda e orienta a maximização do uso de dados observáveis. Os laudos documentam a fundamentação teórica do método escolhido, as fórmulas aplicadas, as fontes de cada premissa de mercado e as limitações de escopo, inclusive a não consideração de efeitos da reforma tributária e de alterações legislativas setoriais em discussão. Conforme exigido pelo cliente, as entregas foram acompanhadas da modelagem financeira em planilha, com racional e memória de cálculo, e de material de apresentação das metodologias aplicadas.
5. Governança interna da Investor
Cada laudo registra o processo interno de aprovação da Investor: discussão da metodologia com a equipe responsável, preparação e revisão das análises pelos analistas, submissão ao comitê interno — integrado por diretores e analistas seniores — e implementação das exigências do comitê antes da aprovação final. Os laudos identificam o responsável técnico, com registro profissional, e trazem declaração formal de independência: ausência de participação societária nas empresas envolvidas, inexistência de conflito de interesses ou de relações comerciais e de crédito capazes de afetar as conclusões, divulgação dos honorários recebidos do cliente no período e afirmação de que a CELESC e as investidas não interferiram no acesso às informações nem nas conclusões apresentadas.