Índice
01- O que é Depreciação?
02- Diferenças contábil e fiscal
03- Conceitos importantes
04- Métodos
05- Quando fazer?
06- Como calcular?
07- Exemplo prático
08- Lançamento contábil
O que é Depreciação?
Depreciação é basicamente a perda de valor de um bem ao longo do tempo. Pense em um carro: quando você compra um veículo novo, ele tem um valor mais alto. Com o passar dos anos, o uso, o desgaste e o surgimento de modelos mais modernos fazem esse carro perder valor ao longo do período que é utilizado pela empresa, sendo necessário a troca por outro novo.
Na contabilidade, a depreciação mostra que os bens da empresa não mantêm o mesmo valor para sempre. Eles vão “consumindo” parte do seu valor conforme são usados. Exemplo: um computador comprado por R$ 6.000 hoje não terá o mesmo valor daqui a cinco anos, porque foi utilizado, ficou mais lento e já existem modelos melhores.
Logo, é necessário estimar quanto tempo esse ativo será utilizado pela empresa para que se aloque uma parte do valor de aquisição ao longo dessa vida útil estimada. Neste exemplo do computador, o valor de R$ 6.000 será distribuído de forma linear ao longo dos 5 anos, ou seja, uma depreciação de R$ 1.200 por ano.
Quais as diferenças entre contábil e fiscal?
Existem duas formas principais de calcular a depreciação:
- Depreciação contábil: segue regras da contabilidade que buscam mostrar um valor mais próximo da realidade econômica do bem. No Brasil, essas regras estão principalmente na Lei 11.638/07 e no CPC 27, que dizem como a empresa deve registrar a depreciação. A ideia é estimar por quanto tempo o bem será útil e quanto ele ainda valerá no final do seu uso.
- Depreciação fiscal: é o cálculo que vale para o imposto. Ela segue regras da legislação tributária. Nesse caso, o governo define percentuais fixos para calcular a depreciação usada nos impostos.
Assim, um mesmo bem pode ter valores de depreciação diferentes, dependendo se o cálculo é contábil (pela lei e normas contábeis) ou fiscal (pelas regras da Receita).
Conceitos importantes
Para entender a depreciação, é bom conhecer alguns termos básicos:
- Vida útil econômica: tempo total de uso esperado. Exemplo: uma máquina pode funcionar bem por 10 anos antes de precisar ser trocada.
- Vida útil remanescente: tempo que ainda resta de uso. Exemplo: um carro com uso previsto por 5 anos e que já foi usado por 2 anos tem 3 anos de vida útil remanescente.
- Custo de aquisição: é o preço pago pelo bem, acrescido dos gastos tais como frete, instalação, impostos, dentre outros, necessários para colocá-lo em funcionamento,.
- Valor residual: valor estimado que o bem ainda terá ao final da vida útil. Exemplo: carro comprado por R$ 100 mil e vendido por R$ 20 mil depois de alguns anos.
- Valor depreciável: é a diferença entre o custo de aquisição e o valor residual.
Métodos de Depreciação
Os métodos de depreciação são as diferentes formas utilizadas para calcular como um bem perde valor ao longo do tempo. Cada método distribui essa perda de maneira diferente, dependendo da forma como o bem é utilizado.
a) Método Linear (ou quotas constantes): “a diminuição é igual todos os anos”. É o método mais utilizado pelas empresas por ser simples e fácil de entender. Nele, o bem perde o mesmo valor em todos os períodos. Em outras palavras, a depreciação acontece de forma constante ao longo do tempo. Esse método funciona melhor quando o bem é utilizado de maneira parecida durante toda a sua vida útil. Um exemplo seria um prédio administrativo ou móveis de escritório.
b) Método das Unidades Produzidas: “a diminuição depende do uso”. Nesse método, a depreciação não depende apenas da passagem do tempo, mas principalmente do quanto o bem foi utilizado. Quanto maior a produção ou o número de horas trabalhadas, maior será a depreciação.
É um método muito usado em máquinas e equipamentos cujo nível de utilização varia bastante. Por exemplo: uma máquina que trabalha mais horas em determinado mês terá maior desgaste nesse período.
c) Método dos Saldos Decrescentes: “a diminuição é maior no início”. Também chamado de método acelerado, ele considera que alguns bens perdem mais valor nos primeiros anos de uso. Por isso, a depreciação começa maior e vai diminuindo com o tempo. Esse método funciona melhor para bens que rapidamente ficam ultrapassados, como computadores, celulares e equipamentos tecnológicos.
d) Método da Soma dos Dígitos dos Anos: “a diminuição é maior no início, mas cai aos poucos”. Esse método também é acelerado. A diferença é que a redução da depreciação acontece de forma gradual ao longo dos anos. Nos primeiros períodos, a despesa é maior; depois, ela vai diminuindo aos poucos. É mais indicado para bens que têm maior eficiência no começo da vida útil e tendem a perder utilidade com o passar do tempo.
e) Método por Horas Trabalhadas: “a diminuição depende das horas de uso”. Nesse método, o desgaste do bem acompanha o tempo efetivo de utilização. Assim, quanto mais horas o equipamento funciona, maior será a depreciação. Esse modelo é muito utilizado em máquinas industriais, aviões, tratores e equipamentos pesados, nos quais o desgaste está diretamente ligado ao número de horas de trabalho.
Quando fazer a depreciação?
A depreciação deve ser registrada periodicamente, geralmente todo mês. Começa quando o bem está pronto para uso e vai até o fim da vida útil ou até ser vendido, doado ou virar sucata. A empresa também deve revisar periodicamente se a vida útil e o valor residual ainda fazem sentido.
Como calcular a depreciação?
A fórmula mais utilizada na depreciação é seguindo método linear:
Depreciação = (Custo do bem – Valor residual) ÷ Vida útil
Exemplo prático de depreciação
Imagine que uma empresa compra um computador por R$ 10.000,00. A vida útil estimada (tempo de uso) é de 5 anos (60 meses) e o valor residual é R$ 1.000,00. Vamos abordar a depreciação linear, método no qual a empresa divide o valor depreciável igualmente pela vida útil do bem.
Valor depreciável:
Esse é o valor que será “consumido” ao longo da vida útil.
Depreciação mensal:
Assim, a cada mês a empresa registra R$ 150,00 como despesa de depreciação, até completar os 60 meses.
A tabela abaixo demonstra como esse processo ocorre ao longo do tempo:
|
Mês |
Depreciação do mês |
Depreciação acumulada |
Valor contábil líquido |
|
1 |
R$ 150,00 |
R$ 150,00 |
R$ 9.850,00 |
|
2 |
R$ 150,00 |
R$ 300,00 |
R$ 9.700,00 |
|
3 |
R$ 150,00 |
R$ 450,00 |
R$ 9.550,00 |
|
4 |
R$ 150,00 |
R$ 600,00 |
R$ 9.400,00 |
|
5 |
R$ 150,00 |
R$ 750,00 |
R$ 9.250,00 |
|
… |
… |
… |
… |
|
55 |
R$ 150,00 |
R$ 8.250,00 |
R$ 1.750,00 |
|
56 |
R$ 150,00 |
R$ 8.400,00 |
R$ 1.600,00 |
|
57 |
R$ 150,00 |
R$ 8.550,00 |
R$ 1.450,00 |
|
58 |
R$ 150,00 |
R$ 8.700,00 |
R$ 1.300,00 |
|
59 |
R$ 150,00 |
R$ 8.850,00 |
R$ 1.150,00 |
|
60 |
R$ 150,00 |
R$ 9.000,00 |
R$ 1.000,00 |
Neste exemplo, o valor contábil líquido, que é o valor que aparece nas demonstrações financeiras, nunca estará abaixo do valor residual de R$ 1.000,00, pois esse é o limite definido pela empresa.
08 – Lançamento contábil
Para o exemplo apresentado, o registro contábil mensal da depreciação será:
Débito: Despesa de Depreciação …… R$ 150,00 (RESULTADO)
Crédito: Depreciação Acumulada ….. R$ 150,00 (ANC)
Isso mostra que a empresa reconhece a perda do valor do bem. A despesa reduz o lucro do período, e a depreciação acumulada reduz o valor do bem, registrado nas contas.
Mais de 14 anos de experiência em avaliação de ativos.
Responsável por mais de 100 projetos de inventário e avaliação de ativos fixos no Brasil e exterior, com mais de 1 milhão de itens inventariados.
Possui MBA em Contabilidade Internacional (IFRS) pela USP e Governança Corporativa pela PUC-MG, além certificado profissional ANBIMA CPA 10, CPA 20 e CEA.
Administrador e Contador com graduações pela FUMEC.
